GUERRA E PAZ

A paz, e tudo mais, exige um preço, que devemos pagar com alegria, afinal é maravilhoso viver em paz. É preciso a vigilância de um samurai para que se viva em paz. A paz é o sonho do guerreiro. Só o pacifista não vê. E há também o guerreiro que só vive em paz quando está em plena guerra. As guerras ocorrem por motivos estéticos. Toda guerra é uma questão de gosto. Todo guerreiro, todo exército, todo cangaceiro tem um conjunto de símbolos, vestimentas e rituais puramente estéticos. A arte é uma arma de guerra. A arte mexe com nosso senso estético e este mexe com os outros sentidos. Sem beleza não há amor, sem amor não há ciúmes, sentimento de posse, sofrimento, mágoa, euforia, gozo, frustração. A beleza é o bálsamo e o antibálsamo, a droga e a antidroga, por isso a arte é fonte de guerra e paz. Aliás, quando algo belo entra em sua vida, acabou sua paz. E, por outro lado, vivemos buscando o belo, crente de que só assim teremos paz. A beleza faz falta, ainda que seja só um ornamento. O poeta diz “não existe coisa mais triste que ter paz…” Beleza deveria ser escrita com maiúscula como “Deus”. A frieza dos genocidas é sua indiferença à beleza. Genocida é aquele que mata sua própria gente depois que a guerra acaba. Há uma razão para a maldade: a indiferença ao belo. Dessa indiferença à beleza, surge o cerceamento à liberdade, pois o que é a liberdade? É o direito que queremos ter de gostar sem impedimentos. Não se luta pela “liberdade”, luta-se pelo direito de ler qualquer livro, ouvir qualquer música, ver qualquer filme sem impedimentos. Luta-se pelo direito de achar bonito aquilo que nos deleita e de se deleitar com aquilo que achamos bonito. Liberdade é isto, direito de sentir e buscar o sentimento que quiser. Não é à toa que o livre arbítrio é uma das cláusulas pétreas da lei de Deus. Deus permite que façamos qualquer coisa, mesmo contra Sua vontade porque nos fez livres. Os poderosos, porém, não têm a liberdade em tão alta conta e daí surgem as guerras. A guerra pela paz de viver na guerra em que nossa alma escolher. Pacífico é aquele que vive com a alma em guerra causada pelas tensões estéticas onde é jogado pelas mãos da realidade e é capaz de dar a vida para que o deixem em paz em sua guerra privada.

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