QUADRILHA

Em junho, no complexo penitenciário do Buraco Quente, os presos resolveram organizar uma festa de São João. O diretor da prisão achou uma boa idéia uma festa de São João, mas considerou um exagerou que se fizesse uma como deve ser, com fogueira e quentão e cortou vários itens da proposta. Mesmo assim a festa se fez. Um dos presos ficou de organizar a quadrilha, que, de fato, no fim de tudo, foi só o que funcionou direito. No começo, houve o natural mal entendido “como assim, vamos organizar outra facção criminosa?”, “não, idiota, é quadrilha de São João”, “quem é idiota, mermão, qué morrê?” Mas a festança foi feita, com casamento na roça, comidas típicas e todos dançaram muito. Até a televisão veio ver e durante a semana só se falou na quadrilha dos bandidos. No ano seguinte, quando todos já tinham esquecido a festança, o preso organizador voltou a falar em quadrilha. Feliz com o sucesso, no ano anterior, pediu audiência com o diretor da prisão, que era novo ali, e foi logo falando com entusiasmo que estavam começando a organizar a maior quadrilha já vista na história daquele presídio. O diretor nem quis saber de detalhes e ansioso para usar as prerrogativas do regime disciplinar diferenciado, mandou o preso para a solitária, onde ficou isolado da malta até outubro.

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Uma resposta para “QUADRILHA

  1. Ai, Cesar tô aqui, chorando de rir! Obrigada!

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